O Banco Central (BACEN) vive situação sensível com relação ao seu quadro de efetivos. Cerca de 33% dos servidores terão condições para solicitar a aposentadoria até 2014, isso sem contar as vacâncias geradas por mortes, exonerações, requisições entre outros. O cenário preocupa o Departamento de Recursos Humanos do órgão, que tenta articular as demandas com o desequilíbrio no quadro de servidores, já que o ingresso dos aprovados no último concurso não conseguiu superar as perdas sofridas nos últimos anos.
O BACEN solicitou ao Ministério do Planejamento (MPOG) a nomeação de 50% de excedente entre os aprovados no concurso de 2009. Inicialmente foram abertas 520 vagas de técnico, analista e procurador, mas o MPOG autorizou a nomeação de mais 130 aprovados além do número inicial de vagas previstas no edital. A autorização correspondeu a cerca de metade do que havia sido solicitado pelo banco.
O Departamento de Pessoas conta com mais autorizações para novas admissões até o fim do prazo de validade do certame, que será em junho de 2012. A pressa se justifica pelo grande número de aposentadorias que têm ocorrido. Atualmente a média de aposentadorias é de 40 por mês e, até o último dia 12, foram 283 aposentadorias.
Leia a entrevista que a Chefe do Departamento de Pessoal do BACEN concedeu à Folha Dirigida!
"A situação é séria"
FOLHA DIRIGIDA - O Banco Central está ainda em um processo de preenchimento das vagas do seu concurso em validade. A senhora pode fazer um balanço dessas convocações? Qual a previsão de preenchimento das vagas, já que ainda há candidatos que foram aprovados e que estão na expectativa de serem convocados?
Nilvanete Ferreira da Costa - Nós solicitamos ao Ministério do Planejamento autorização para nomear os 50% adicionais às vagas inicialmente fixadas, e só obtivemos autorização para nomear parte desse contingente, em torno de 25%. Já fizemos a nomeação de 37 técnicos, que tomarão posse no dia 29 de agosto. No mesmo dia daremos início a uma nova segunda etapa para o cargo de analista, uma vez que obtivemos autorização para nomear 83 candidatos. Temos a expectativa
de ainda na validade dos concursos obtermos a autorização complementar dos 50%. Estamos otimistas com relação a isso.
FD - O que achou da decisão do STF que garante o direito à nomeação aos
aprovados em concursos dentro do nº de vagas?
Gostei. A decisão trouxe mais segurança àqueles que buscam um cargo no serviço público. Gostei, mas temo que sejam reduzidas as vagas.
FD - E essas convocações complementares deverão ocorrer até o início de 2012?
Sim, é essa a expectativa. O concurso tem validade até junho de 2012, e temos a expectativa de que venhamos a obter essa autorização complementar na validade do concurso, de preferência o mais cedo possível.
FD -O BC tem sofrido muito com as aposentadorias e, até o mês de junho, o ano de 2011 registrou uma média de 40 por mês. Quantos já se aposentaram ao longo do ano até a data de hoje e qual tem sido o impacto dessas saídas no dia a dia do banco?
Em 2011 nós já tivemos, até o último dia 12, 283 aposentadorias. Em 2010 tivemos 331. Com as atuais, nós já tivemos mais aposentadorias do que os 520 servidores que ingressaram no ano passado. O nosso quadro está mais reduzido do que estava antes do ingresso (dos 520 novos servidores).
FD - A situação então é muito séria.
É séria. Estamos atentos, negociando. O Ministério do Planejamento está ciente. Mas é claro que ele tem todo um contexto de serviço público que tem que olhar, e é uma situação que vários órgãos, parece, também estão enfrentando, que é essa dificuldade para reposição de quadros. Mas estamos trabalhando, estamos atentos e vamos continuar buscando essa reposição.
FD - Desses aposentados, quantos são técnicos e quantos são analistas?
Não tenho um número exato. Mas o fato é que o quadro do banco tem muito mais analistas do que técnicos. Então, essa proporção é maior com relação ao cargo de analista.
FD - Dada essa necessidade de reposição do quadro, quando efetivamente o BC pretende iniciar os contatos com o Planejamento visando à autorização para um novo concurso?
Em 2008, o banco encaminhou ao Ministério do Planejamento um plano plurianual de ressuprimento. E lá nós já prevíamos concursos anuais. Isso não foi aprovado. Mas essa pauta já existe lá. O que nós devemos fazer em 2012 é retomar essa proposta e avaliar com eles como viabilizar, com que nível de reposição vamos poder trabalhar, mas o fato é que esse assunto necessariamente será retomado em 2012. Não temos ainda um calendário, a partir de que momento vamos fazer isso, até porque a prioridade agora é colocar esses excedentes até o limite de 50% no quadro do banco. Tão logo seja concluído esse processo, ano que vem passaremos a tratar de discussão sobre novos concursos.
FD - Há uma expectativa de que esse próximo concurso seja aprovado em 2012? É, pelo menos, um desejo do banco?
Sim. A nossa necessidade, a nossa expectativa é que tenhamos essa autorização o mais cedo possível. Mas são variáveis sobre as quais a gente não tem pleno controle. O ministério (do Planejamento) avalia isso em um contexto maior, como falei anteriormente. Mas creio que estará sensível às nossas demandas, e temos a expectativa de que vamos continuar fazendo a reposição de quadros.
FD - Hoje, se o Banco Central fosse apresentar já o pedido para um novo concurso, qual seria o quantitativo de vagas?
Eu prefiro não fazer nenhuma avaliação, até porque isso precisa de um estudo mais aprofundado, mais cuidadoso. Então, é melhor não fazer conjecturas. Sabemos que há necessidade, mas, por outro lado, também sabemos que existem aperfeiçoamentos de processos de trabalho. O banco tem algumas ações em andamento, que visam inclusive a maior efetividade no resultado do trabalho. Então, sabemos que dificilmente teremos plena reposição, de 100%, de todos os cargos que ficarem vagos ou que já ficaram. Mas sabemos que esse assunto vira à pauta no momento adequado. Vamos tratar com todo cuidado.
FD - Até que ponto o quadro deficitário atrapalha o trabalho do Banco Central?
É claro que, digamos que não haja reposição nos próximos anos, vai chegar um momento em que teremos que priorizar o que vamos fazer. Isso pode, de fato, refletir negativamente no resultado do banco. Até hoje, acho que o banco tem dado as respostas à sociedade em termos de prestação de serviços, tem atuado muito fortemente nos últimos anos, goza hoje de um excelente conceito internacional, inclusive. Precisamos manter isso. E para isso precisamos de gente qualificada, pronta para tocar todos esses projetos e atividades no dia a dia do Banco Central, que é muito pesado, muito complexo. Mas preferimos não trabalhar com essa possibilidade de não reposição.
O banco exerce uma atividade essencial para o Estado brasileiro, e temos a convicção de que as esferas competentes estarão atentas a isso. Então, esperamos não ter que chegar ao momento de ter que priorizar o que o banco vai fazer.
FD - Para procurador há também essa necessidade de reposição?
Há. No caso, dos procuradores, em 2010 foi aprovada uma lei que ampliou o quadro em mais 100 cargos. Hoje, o quadro de procuradores é de 300 cargos, e há mais de 100 vagos. Os novos que foram criados e mais uma parcela dos que já existiam. Então, para procurador, com certeza também haverá (concurso). Já está mapeada também a necessidade de realização de novos concursos.
FD - E o pedido de concurso para procurador vai seguir junto com o de técnico e analista?
Em geral segue junto. Inclusive o (último) concurso de procurador aconteceu em uma época aproximada do de analista e técnico. A tendência é que siga junto. Para procurador, a situação também é bem crítica.