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Funcionalismo: governo deseja estancar as despesas com pessoal
Por Izabela Araujo | 22/8/2011 15:22

Estudos indicam aumento real de até 300% nos salários de servidores públicos. O governo federal, que já iniciou a gestão com cortes no orçamento e contenção nas contratações, agora pretende rever os reajustes salariais, o excessivo número de provimentos e as reestruturações de carreira. As medidas visam ao contingenciamento, justificado, desta vez, pelo incerto cenário de crise que afeta países de todo o globo.

Governo Federal e Sindicatos debatem a definição do ajuste salarial a ser concedido para os servidores públicos - os índices variam entre 2% e 31%, dependendo da carreira. A equipe de Dilma Roussef não demonstrou muita receptividade quanto as propostas dos servidores e está disposta a vetos para garantir a "segurança nacional".

Políticas implementadas no governo Lula atualmente evidenciam as diferenças nas remunerações entre setor público e privado. No Distrito Federal, a média salarial dos servidores é quase quatro vezes maior do que a registrada na iniciativa privada. Em Recife a diferença é de 130,9%. Já em Salvador o número chega a 119,4%.

A ordem, no governo, é não ceder às pressões das categorias.  Autoridades do Ministério da Fazenda consideram que o contracheque do funcionalismo público brasileiro já atingiu níveis de primeiro mundo afirmam que os aumentos salariais chegaram a valores impensáveis, nos últimos tempos. Nelson Barbosa, Secretário - Executivo do Ministério da Fazenda, defende que os reajustes, a partir de agora, devem, no máximo, serem corrigidos pela inflação.

Mesmo com as ameaças do governo de reestruturar os planos previdenciários para os servidores que ainda ingressarão no serviço público e de estagnar os reajustes de salários, os concursandos continuam ansiosos e na expectativa de integrar a máquina pública. A política de Lula beneficiou e tornou mais atrativas as condições salariais de inúmeras carreiras, como a do Banco Central, onde os reajustes, em valor real, chegaram a 114%, da Fiocruz, com reajustes da ordem de 177,7% e a de Agências Reguladoras como a Anvisa, onde o registro foi de 298,5% de aumento salarial.

Por piores que possam parecer as atuais políticas para os servidores, quando comparadas às registradas pelo governo anterior, o serviço público ainda demonstra ser a melhor opção para aqueles que almejam a estabilidade, bons salários e benefícios incontáveis. Especialmente para os recém-formados, que se vêem em um abismo entre a teoria e a prática e encontram nos concursos, uma forma meritocrática de admissão.