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Para um aprendizado mais fácil
Publicado em 23/7/2010

Movimento Acordar Melhor defende novas mudanças para o Vocabulário Ortográfico, para que alunos entendam a matéria, em vez de decorá-la. Estima-se que as regras atuais possam ser reduzidas em 75%

 

 

O resultado, de 2009, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que também busca avaliar a qualidade das escolas no país, mostra uma realidade preocupante, sobretudo das redes públicas de ensino. Entre as 20 melhores avaliadas, apenas duas são instituições federais. Na lista das piores qualificadas, todas são estaduais e municipais. Na prova, os alunos tiveram que responder questões de 20 disciplinas e escrever uma redação.

 

Com exceção do Colégio Militar, mantido pelo Exército, no ranking do Distrito Federal, nenhuma escola pública figura entre as melhores. De acordo com Ernani Pimentel, professor, diretor do Grupo Vestcon e idealizador do Movimento Acordar Melhor, para melhorar esta situação é preciso criar formas de simplificar o ensino e transformar o aprendizado em algo mais dinâmico e eficiente.

 

O Acordar Melhor defende a simplificação da ortografia brasileira, com base racional, objetiva e sem exceções, além de criticar o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. "A pedagogia, ainda nos anos 50, acabou com a 'decoreba'. Mas as mudanças realizadas criaram ambiguidades e confusões, que forçam o aluno a decorar regras e exceções. O estudante precisa entender e não decorar", considera.

 

Para Pimentel, o problema do ensino-aprendizado da língua portuguesa é a falta de lógica e a indecisão que permeia suas regras. O uso do "h" no início das palavras, duplas grafias, as regras do uso de hífen repletas de exceções e a escolha entre as diversas letras que causam confusões no aluno - s ou z, j ou g, s ou ss ou sc, x e ch - são alguns exemplos do que poderia ser simplificado no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

 

"É necessário que se organize um mínimo de regras - estima-se que as atuais possam ser reduzidas em setenta e cinco por cento - e que sejam concatenadas, convergentes e lógicas, sem exceções, sem duplas grafias", afirma Ernani.

 

Segundo o professor, o que foi colocado em vigor já está superado. Essas ideias já haviam sido alinhavadas em 1975. Em 1990, o acordo foi assinado e apenas em 2009 as novas regras começaram a valer. "Querem manter algo já ultrapassado", afirma.

 

Ernani Pimentel ainda ressalta que, do ponto de vista específico da língua portuguesa, a simplificação nas regras poderiam ajudar os alunos a aprender a escrever com mais agilidade e segurança. Dessa forma, ele defende que a classificação de avaliações como a do Enem poderiam poderia ser de outra ordem, uma vez que as provas de português e redação têm um peso grande na prova. "O aluno precisa aprender a não decorar. Para tanto, as regras precisam mudar", completa.

 

Sobre o Movimento Acordar Melhor - O Movimento Acordar Melhor reúne milhares de professores, jornalistas, advogados, gramáticos, linguistas, escritores e cidadãos que, decepcionados com a superficialidade do Novo Acordo Ortográfico, tentam conscientizar o poder público para as mudanças urgentes nas regras vigentes.

 

A iniciativa já conseguiu que a Comissão de Educação, Cultura e Turismo do Senado Federal realizasse, em 4 de novembro de 2009, uma audiência pública sobre o acordo, para que ideias novas e práticas pudessem ser discutidas em âmbito nacional.

 

No I Congresso de Língua Portuguesa, realizado em novembro do ano passado, no DF, o Movimento Acordar Melhor também teve a oportunidade de expor suas ideias.