Há muito, vimos observando um problema sério na educação brasileira concernente ao ensino e avaliação dos conhecimentos de Língua Portuguesa.
Vamos pensar nos alunos que estão vivendo em todos os estados e territórios de nosso grande país, concluintes do ensino médio, desejosos de prestar vestibular em outro estado, outra cidade ou capital, situação muito freqüente, quer pela busca de novos horizontes profissionais, quer pela transferência ou simples mudança dos pais, quer por outras motivações. Vamos pensar também nos concursandos que viajam de uma cidade a outra, de uma região a outra, para participarem de concursos públicos submetendo-se a provas que lhes cobram o conhecimento de nossa Língua.
Na maioria, ou melhor, na quase totalidade das escolas, faculdades e universidades brasileiras, os professores e os livros didáticos seguem a NGB - Nomenclatura Gramatical Brasileira -, recomendada e aconselhada, desde 1959, pelo então Ministro de Estado da Educação e Cultura, Professor Clóvis Salgado.
A conhecida e sempre citada NGB, cuja adoção foi recomendada pelo Ministério da Educação "no ensino programático da Língua Portuguesa e nas atividades que visem à verificação do aprendizado, nos estabelecimentos de ensino" é responsável pela terminologia mais conhecida de todos os estudantes do Brasil: sujeito, predicado, objeto, adjuntos adverbiais e adnominais... substantivo, preposição, conjunção...
Algumas faculdades de Letras e alguns órgãos elaboradores de concursos públicos nacionais testam os conhecimentos de seus vestibulandos e concursandos usando termos como actante (em vez de sujeito), elemento coesivo e conector (em vez de preposição, conjunção , conectivo)... e uma vária nomenclatura, que, apesar de pretender contribuir com nova visão do fenômeno lingüístico aplicável ao nosso idioma, conquistou apenas um pequeníssimo, um diminutíssimo número de professores do nosso Vernáculo.
Esses pouquíssimos órgãos elaboradores de concursos e faculdades estão cometendo um crime com os vestibulandos e concursandos que se deslocam de lugares distantes para se submeterem a provas que não respeitam a terminologia a eles passada por seus longínquos mestres. Ficam, então, prejudicados competitivamente em relação aos seus concorrentes, que , por residirem próximo a tais faculdades e órgãos, têm a oportunidade de fazer um cursinho onde os professores, até por proximidade geográfica, têm a possibilidade de conviver com tal terminologia, discutivelmente inovadora e indiscutivelmente injusta, por ferir um preceito constitucional e democrático, qual seja, o de conceder igualdade de condições a todos os concorrentes.
Outro problema sério começa a prejudicar milhares de concorrentes na situação de prestar um concurso em que há prova de Redação Oficial, e a empresa organizadora do certame não indica bibliografia específica, sabendo existirem vários manuais intitulados de Redação Oficial - nenhum realmente oficial no sentido estrito da palavra - que apresentam conceitos e preceitos divergentes e conflitantes entre si. Um exemplo de conflito? Apenas um, para não alongar este artigo. Em muitos desses manuais e em todas as gramáticas, ensinam-se abreviaturas para os pronomes e locuções pronominais de tratamento, ao passo que o Manual de Redação da Presidência da República sugere que não se abreviem esses pronomes e essas locuções pronominais.
Alguns professores privilegiados, por proximidade física ou relacionamento pessoal, costumam saber em que manual se baseia esta ou aquela comissão organizadora e orienta seus alunos nesse ou naquele sentido, obviamente... Porém, todos os demais professores, espalhados por nosso vastíssimo território, sequer ficam sabendo por que seus alunos são prejudicados e desclassificados.
Se você julga conveniente nos unirmos para conseguirmos a padronização e legalização do ensino da Língua Portuguesa, em benefício nosso, de nossos alunos e de nosso país, comunique-se conosco por carta ou e-mail, que temos muitas idéias a trocar, para organizar um belíssimo e necessário movimento em prol da Educação.